segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Editorial

Muita Religião , Pouco testemunho, pouco amor, pouca fé ...

“És perseverante. Sofreste por causa do meu nome e não desanimaste. Todavia, há uma coisa que eu reprovo: abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde saíste! Converte-te e volta à tua prática inicial.” (Ap. 2,3-5a.)
Num breve olhar sobre o pluralismo religioso presente no mundo e em nosso Distrito notamos aqui a existência de 10 denominações diferentes sendo:  Congregação Cristã do Brasil, Deus é Amor, Filadélfia, Adventista do 7º. Dia, Assembléia de Deus- Belém, Testemunha de Jeová, Assembléia de Deus- Madureira, Assembléia de Deus- e por fim a  primeira Igreja a existir,  Católica Apostólica Romana.  Numa população maior que 4.000 habitantes há uma clarividente oferta para quem quer um “encontro com Deus”. Nisto perguntamos o que significa uma religião? Partindo do significado da palavra religião na sua raiz significa Re-ligare ou seja,  ligar de novo. Será que é exatamente isto que acontece?
Todos dizem ser de Deus, mas acabam subdividindo-se a cada dia em outras e novas expressões, pois o que se justifica é o fato de que “Deus falou comigo” e no descontentamento ou por não concordância entre os líderes e membros, surgem novos grupos de simpatizantes batizando de novo aquela re-união com outro nome, outra doutrina, outra roupa exterior, ou com exigências de Ofertas, Dízimos, Campanhas, Orações em Matas, Montes, Campanhas, Jejuns, sacrifícios e sacrilégios que até acabam materializando a presença de Deus, um verdadeiro varejão de possibilidades.  Aqui e em tantos lugares do mundo o Reino está dividido e o próprio Jesus disse que um “Reino Dividido não será capaz de subsistir” Surge um tipo de concorrência desleal ao ponto de homens se intitularem deuses, com poder sobrenatural de colocar e retirar fiéis do céu ou do inferno a hora que querem. É um fanatismo desleal que muitas vezes nada tem do Cristianismo pautado no amor que Nosso  Senhor Jesus Cristo deixou ao edificar sua Igreja no alicerce dos Apóstolos e dos  mártires que testemunharam com o sangue e santidade a verdadeira fé.
 Há quem brigue por ovelhas “gordas” e “bem nutridas” que sempre viveram da Eucaristia e da Palavra convencendo-as a deixar a mãe igreja que a gerou, amamentou, nutriu, ensinou a dar os primeiros passos em busca de uma mudança mágica e trágica, pois sempre há uma divisão e um cisma nesta arrancada a fórceps.  Porque não correm para salvar as almas desiludidas e desnutridas que perderam o sentido da vida? Porque este gosto maléfico de tirar as pessoas da igreja a que já freqüentam? Há uma só fé, um só Senhor, um só batismo. Converter cristãos ao cristianismo, batizar batizados é bem fácil, né?
O pior sentimento gerado quando algum membro vira as costas para a fé primeira é a ingratidão e depois a maldosa forma de atacar. Perguntamos: E quem viveu a fé por milhares e milhares de anos antes de existirem estas “tantas religiões”? Não foram agraciados pela força do alto?  Não Viveram e fizeram o bem como ninguém?  Foram puros e muito mais santos que os tempos de hoje onde nunca se viu tantas religiões e pouco amor e pouca fé.
Ingratidão foi também o que Jesus sentiu na sua condenação de abandono na cruz quando tantos o deixaram sozinho. Muitos que ele curou, saciou a fome de pão e paz, deu misericórdia, limpou feridas da lepra física e espiritual, ressuscitou mortos, devolveu dignidade e de repente estão de costas para Ele e ainda gritam Crucifica-o. Assim também quando alguém abandona a materna presença da Igreja e vão para outro redil e mesmo na Orfandade, sentem gosto em ofender a mãe que os nutriu com amor e carinho. A salvação está muito além que usar certa roupa, deixar de comer isto ou aquilo ou ter uma bíblia visível em nossas mãos. Se não se revestir da caridade e a palavra Divina não se fizer carne de nada adiantará o sinal externo.  Deus não está dividido, pois Ele é UNO e jamais se pode dizer que o “meu Deus” fez isso ou “meu Jesus” fez aquilo, pois Deus é Deus, Eterno, Soberano, Onipotente, Onisciente e Onipresente, e Jesus é o “Emanuel”- Deus conosco e não só Deus comigo.
Conquistar o céu é muito mais que um mérito egoísta como prêmio para bonzinhos, pois de nossa parte não somos merecedores, mas, a misericórdia de Deus em seu Filho é quem abre as portas da Eternidade.  Ser Cristão é mais do que pensamos, pois, há muitas religiões e pouco Deus nos corações, muitos templos de pedra e poucos santuários vivos. O que realmente Salva? O que vai me fazer receber o Céu? Teremos muitas surpresas no céu se lá chegarmos, pois, veremos tanta gente que julgamos ou diabolicamente sentenciamos condenados já aqui na terra como juízes injustos nos púlpitos da falta de misericórdia. Só Deus conhece os corações humanos intimamente, Só Deus pode e sabe julgar, pois, Ele é Deus e nós nada somos sem sua graça.
          Verdadeira fé é aquela que pensa no outro e zela pela vida do irmão, que pensa na natureza e naqueles que ainda vão nascer e que gostariam de ter a oportunidade de conhecer o que conhecemos da obra criadora ainda preservada e bela como Deus deixou. Ter fé é muito mais que gritar um glória ou aleluia, é ter Cristo vivo em nós e torná-lo amado e querido nos corações de todos.
Reflita:“És perseverante. Sofreste por causa do meu nome e não desanimaste. Todavia, há uma coisa que eu reprovo: abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde saíste! Converte-te e volta à tua prática inicial.” (Ap. 2,3-5a.) Não se esqueçam que nós não crescemos á força do proselitismo mas do Martírio mesmo assim como foi a Igreja primitiva da qual nos originamos.
          Que este Natal transforme nossa mentalidade e nosso Coração.
Padre Mário Adorno

Agradecimentos Especiais aos Paroquianos, Festeiros e Patrocinadores da
“Quermesse do Padroeiro Santo André e 3ª. Festa da Costela Fogo de Chão”
Providências Divinas!



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